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Pressão Alta

Mitos e verdades: o que você realmente precisa saber sobre a pressão alta

Abril é o Mês de Conscientização da Hipertensão Arterial, um período vital para lembrarmos que o cuidado com o coração não pode ser deixado para depois. Por isso, este blog nasce para responder aos questionamentos mais frequentes e desmistificar o que é, de fato, a pressão alta.

Afinal, o que é considerado “pressão alta”?

Muitas pessoas ainda ficam confusas com os números. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, de acordo com a medida da pressão arterial em consultório, a classificação funciona assim:

  • Pressão normal: valores menores que 120/80 mmHg;
  • Pré-hipertensão: valores entre 120-1329 mmHg (sistólica) e 80-89 mmHg (diastólica);
  • Hipertensão: valores a partir de 140/90 mmHg já podem ser classificados como hipertensão; de acordo com os valores obtidos e com as demais comorbidades e fatores de risco presentes, o paciente é classificado em relação ao risco de ter eventos cardiovasculares, como AVC (derrame) e infarto do miocárdio, por exemplo. 

Atenção: a pré-hipertensão já indica um risco aumentado para complicações cardíacas. Se você se encontra nessa faixa, é hora de um acompanhamento médico próximo para definir a melhor estratégia de prevenção.

O perigo da pressão alta

Um dos maiores mitos é acreditar que só tem pressão alta quem sente dor na nuca ou tontura. A verdade é que a hipertensão é frequentemente chamada de doença silenciosa. Na maioria das pessoas, ela não causa nenhum sintoma evidente até que órgãos como o coração, os rins e o cérebro já tenham sofrido danos significativos.

Em alguns casos, porém, o corpo pode dar sinais de alerta:

  • Dores de cabeça e tonturas;
  • Visão turva ou falta de ar;
  • Dor no peito e palpitações;
  • Sangramentos nasais e cansaço extremo.

Se você tem histórico familiar, sobrepeso/obesidade ou diabetes, o monitoramento regular é sua melhor defesa. Não espere sentir algo para medir sua pressão.

Como chegamos ao diagnóstico?

Não é porque a pressão deu alta uma única vez que você é hipertenso. O diagnóstico é feito com base em medições repetidas por um profissional de saúde.

Exames que ajudam o médico

Alguns exames complementares que podem auxiliar no diagnóstico:

  1. MAPA (Monitorização Ambulatorial): o paciente usa um aparelho que mede a pressão por 24 horas durante suas atividades normais;
  2. MRPA (Monitorização Residencial): o paciente realiza as medidas em casa, seguindo um protocolo específico.

Esses exames são fundamentais para identificar dois fenômenos comuns:

  • Hipertensão do avental branco: a pressão sobe no consultório (pelo estresse da consulta), mas é normal no dia a dia.
  • Hipertensão mascarada: a pressão parece normal no consultório, mas está elevada nas atividades rotineiras.

 

Agora, vamos aos mitos x verdades sobre a pressão alta:

  • Quem toma remédio para pressão pode parar, sem necessidade de orientação médica, se a pressão normalizar!

MITO! A hipertensão é uma doença crônica que, na maioria dos casos, requer uso de medicamento por toda a vida. Só seu médico pode suspender sua medicação, em casos específicos.  Os medicamentos ajudam a manter a pressão sob controle, e parar o tratamento pode fazer com que ela volte a subir. 

 

  • Existe relação entre estresse e hipertensão

Verdade! O estresse libera hormônios que podem elevar a pressão arterial temporariamente. Se o estresse for constante, pode contribuir para a hipertensão a longo prazo.

 

  • Quem tem pressão alta não pode praticar exercícios físicos

Mito! Exercícios físicos são fundamentais no controle da pressão arterial. Atividades como caminhada, natação e ciclismo ajudam a fortalecer o coração e melhorar a circulação. Porém, é necessário que seu médico, após avaliação do seu caso e dos seus valores de pressão, indique o tipo e a intensidade do exercício.

 

  • Pressão alta pode causar demência

Verdade! O aumento contínuo da pressão arterial pode prejudicar os vasos sanguíneos do cérebro, diminuindo o fluxo sanguíneo e o fornecimento de oxigênio ao cérebro. Isso pode contribuir para o desenvolvimento de problemas cognitivos, como demência vascular ou declínio cognitivo.

 

  • Crianças não têm pressão alta

Mito! Crianças podem ter hipertensão. Embora a hipertensão seja mais comum em adultos, a condição também pode afetar crianças e adolescentes. A hipertensão em crianças pode ser primária (sem causa identificável) ou secundária (resultante de outra condição, como doenças renais, problemas hormonais ou obesidade). Por isso, é importante que a pressão arterial das crianças seja monitorada, especialmente se houver fatores de risco presentes. O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para prevenir complicações a longo prazo. A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda que crianças acima de 4 anos de idade tenham a sua pressão arterial verificada na consulta com o pediatra, pelo menos uma vez ao ano; em casos de maior risco, como prematuridade, antes mesmo dos 3 anos, crianças devem ter sua pressão verificada.

 

  • Beber café aumenta a pressão arterial

Verdade! O café pode aumentar temporariamente a pressão arterial, especialmente em pessoas que não têm o hábito de consumi-lo regularmente. O principal responsável por esse aumento é a cafeína, um estimulante do sistema nervoso central, que pode causar uma elevação momentânea na pressão arterial. Em pessoas saudáveis que consomem café com moderação, a cafeína não tende a causar um aumento persistente na pressão arterial. A cafeína em excesso pode ter efeitos mais duradouros, especialmente quando consumida em grandes quantidades (mais de 3 a 4 xícaras por dia). Moderação é a chave: para a maioria das pessoas, 1 a 2 xícaras de café por dia não devem causar grandes problemas.

 

  • A hipertensão pode causar danos aos rins

Verdade! A hipertensão não controlada pode danificar os vasos sanguíneos dos rins, o que compromete sua capacidade de filtrar os resíduos do corpo. Isso pode levar a uma condição conhecida como doença renal crônica. Em casos graves, pode levar à insuficiência renal terminal, exigindo diálise ou transplante de rim.

Lembre-se: a prevenção é a forma mais inteligente de cuidado. Tratar a hipertensão não é apenas tomar remédios, é entender que a longevidade é uma construção diária. Quando cuidamos da nossa pressão arterial, estamos investindo no nosso bem mais luxuoso: o tempo. E, nessa jornada, você não está sozinho! É por isso que existe o É De Coração.

Somos o elo entre a ciência que cuida e o cuidado que transforma dados e diagnósticos em bem-estar e longevidade.

Monitore sua pressão, consulte seu cardiologista e acompanhe o É De Coração para continuar transformando conhecimento em vida.

 

Referência bibliográfica:

Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, Armstrong ADC, Mulinari RA, Feitosa ADM. Brazilian Guidelines of Hypertension – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025 Nov 21;122(9):e20250624. Portuguese, English. doi: 10.36660/abc.20250624. PMID: 41294179.

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